Revista Laberinto

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Home Números publicados laberinto 20 Lendo Marx à luz de Marx

Lendo Marx à luz de Marx

Antes do seu ocaso como a teoria social predominante das análises inspiradas pela Historiografia, pela Filosofia, pela Economia ou pela Sociologia, a história intelectual do marxismo ocidental conheceu, no século XX, duas fases bem distintas. Sobre a primeira, Perry Anderson observou que, diferentemente do marxismo clássico, que conjugou o trabalho teórico com a atividade militante, o marxismo dos intelectuais universitários promoveu, a partir do entre-guerras, um “divórcio estrutural” entre o pensamento e a prática revolucionária, abandonando progressivamente os estudos sobre “a economia e a política pela filosofia”. A conseqüência mais importante dessa opção foi a primazia “do trabalho epistemológico centrado essencialmente nos problemas do método”. As discussões daí derivadas migraram para análises sobre a “estética, ou, num sentido mais lato, das superestruturas culturais” e sua “primeira expressão se deu na Alemanha, no Instituto de Investigação Social de Frankfurt”. À exceção de Gramsci, o marxismo ocidental manteve-se indiferente às questões clássicas que mobilizaram o materialismo histórico: o “exame das leis econômicas da evolução do capitalismo como modo de produção, a análise da máquina política do Estado burguês [e da] estratégia da luta de classes necessária para derrubar” esse Estado. “Durante mais de vinte anos após a II Guerra Mundial, a produção intelectual do marxismo ocidental no domínio da teoria política ou econômica – no que toca à produção de obras importantes tanto num campo como noutro – foi quase inexistente” .

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